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Remember when I said I’d kill you last? I lied.

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Tyler Maher by Steven Klein | EY! [see more]
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Lucas Montilla by Jeff Segenreich

Nunca foi uma questão de querer esquecer.

Vocês sabem quando uma simples conversa consegue te faz reviver algumas boas lembranças, que você achou ter esquecido, mas na verdade estavam apenas adormecidas em algum lugar?

Pois é, a algum tempo atras, na verdade a muito tempo atras, eu tive um “relacionamento” do tipo difícil, do tipo “ninguém pode saber” do tipo que eu não levava tão a sério, até ficar realmente sério, serio a um ponto em que ou o “Relacionamento”virava Relacionamento sério, ou não virava. E por muitos motivos, mas não por falta de vontade acabou não virando.

Tenho 38 anos hoje em dia, sou formado, pós-graduado, doutorado e mestrado, tudo que a minha mãe sempre quis, e que eu também quis né, se não, não teria feito. Morei na Irlanda por uns anos, vivi muita coisa e como dito para mim uma vez “O tempo faz os encontros e desencontros, não é questão de querer esquecer”. Para mim parecia que os desencontros do tempo tinham me feito esquecer.

Quando voltei dos anos que morei na Europa, não consegui ficar na minha cidade natal por muito tempo, me mudei, migrei pro sul dessa vez, pro sul do meu país, que mais parece com o norte de muitos países.

Eu ainda era bem jovem, trabalhei, dei aula, me matei em uns empregos bem ruins para ganhar experiência, hoje moro num apartamento bom, consigo ter meus luxos, recebo amigos, viajo quase todo ano, tenho uma vida muito boa.

A algum tempo abri um negocio, uma doceria, descobri ainda jovem, que cozinhar, principalmente doces me relaxava, me fazia mais feliz e mais leve.

Abri a doceria, e já tem 4 anos, mas hoje, hoje o tempo resolveu dar uma brincada com a minha memória, não é muito comum que eu fique no caixa, atualmente, por causa do meu outro emprego, não é muito comum que eu fique na doceria de qualquer jeito, o que para mim é uma pena, mas eu estava hoje, no caixa recebendo os clientes.

"bling bling bling"

Sempre adorei os sinos nas cafeterias de Dublin

Um senhor, não homem, assim como eu, teria no máximo os seus 40 anos, o que faz com que eu me lembre que daqui a pouco eu terei meus 40 anos, com traços bonitos, cabelo enrolado num tom ainda castanho aloirado, com a pele branca e a barba por fazer, um ar sério com o arredor, mas quando se dirigia ao que segurava sua mão, o rosto mudava, e isso me tirou um sorriso de canto de boca.

Ele entrou na minha doceria praticamente puxado por uma linda menininha que exigia em um tom bem delicado, uma torta de chocolate com creme de avelã encima, os dois sentaram na mesa, e eu não sabia o porque mas me senti acolhido pela cena, algo ali era familiar, acolhedor, foi quando pela segunda vez o sino da loja tocou, uma mulher esbelta, com seios bonitos e cabelo bem preso entrou, sentou do lado do homem e os dois passaram algumas horas ali, rindo e muito felizes, entendi que eram uma família, mesmo depois da mulher ter entrado, embora o sentimento de acolha tenha ido embora, ainda assim ficava muito feliz por te-los ali.

Foi quando a mulher se levantou e disse algo para o homem, lhe deu um beijo na boca e saiu com a menina, no meio do caminho ela esqueceu algo e o chamou “amor…Amor…” e foi quando ela o chamou pelo nome.

Meus olhos se arregalaram e o coração parou, levantei a cabeça rápido para ter certeza do que estava ouvindo, eu não podia só ouvir, eu tinha que ver. Ela voltou a mesa e o beijou mais uma vez saiu com algo na mão alem da menina, ele ainda ficou ali, sentado terminando o café.

"Aqui senhor" disse uma das garçonetes 

"Mil desculpas mas eu não pedi isso" ele falou meio espantado 

"Bom, deve ter sido a sua esposa que pediu para lhe entregar"

"É, deve ter sido, é o meu favorito"

A garçonete sorriu e se retirou.

O homem se levantou e veio pagar, andou até mim e disse o número da mesa em que estava, olhei e acenei com a cabeça afirmativamente, era ele… O tempo realmente estava me pregando uma peça.

"30 reais" eu disse

"tem certeza? minha mulher pediu um doce para mim no final e vi que ela não pagou"

"Não se preocupe senhor, é por conta da casa" 

"Tem certeza mesmo? Essa minha mulher, ela frequenta aqui bastante, elogia muito os doces daqui, aposto que ela ja tinha deixado pago não é… É o meu doce favorito, e vou ter uma noite difícil pela frente" ele disse 

"É eu sei" eu disse olhando ainda para a comanda do pedido 

Ele me olhou de um jeito sério

"Obrigado" e estendeu a mão

Apertou minha mão e seu rosto ficou mais leve, ele apertou um pouco mais forte a minha mão e disse 

"Muito obrigado mesmo" 

Naquele momento eu ja sabia que ele também tinha me reconhecido, que ele também tinha lembrado…

Ele passou pela porta depois de ter pago e não olhou para trás como nos filmes românticos. Naquela noite fui para casa, deitei na minha cama com todas as memórias sobre aquele período da minha vida, mesmo tendo certeza que aquela era a vida que ele escolheu e que eu pude ver em seus olhos que ele estava feliz, parte de mim quis que ele sentisse falta daquela época, assim como eu estava sentido agora… Mas a verdade é, nunca foi uma questão de querer esquecer, foram apenas os caminhos que o tempo nos mostrou.

"Leo, if you stole a kiss from someone, what would you do to give it back?"

— how ‘hoje eu quero voltar sozinho’ ruined my entire life in one sentence: a memoir. (via harryll0yds)

(Source: feellng, via tiagonasc)